Vox Patriae

Maio 18 2010
O PCP apresentou, hoje, uma moção de censura contra o Governo e declarou que esta se estende ao PSD.
 
A moção de censura é uma figura constitucionalmente consagrada (194º CRP) que a ser aprovada provoca a demissão do Governo nos termos do art. 195º nº1 al. f) da Lei Fundamental. É, por isso mesmo, um instrumento da mais elevada importância política e deve ser usado com responsabilidade pelas forças políticas representadas na Assembleia da República.
 
Pelo que entendi, numa leitura diagonal, é mais um documento tipicamente comunista, que eleva o "sistema capitalista", a "União Europeia" e "os grandes grupos económicos" como os grandes inimigos do povo.
Mas mais que isso, é um acto de puro oportunismo político: Numa altura em que o país enfrenta uma grave crise financeira e económica, o PCP propõe-se juntar uma crise política; Mais, são criticadas rigorosamente todas as medidas do chamado "plano de austeridade", mas não é apresentanda nem nunca ouvi do PCP uma proposta alternativa às medidas que estão a ser tomadas; Afirma-se a moção extensível ao PSD, solução juridicamente inexistente e de puro discurso recheado da já antiga demagogia comunista.
 
Enfim... A figura da censura ao governo merece maior respeito, por ser um último recurso e corre-se o risco de se banalizar os debates nesta sede. A apresentação desta moção é uma tentativa infrutífera de chegar aos portugueses como os cavalos de batalha contra a um plano que traz consigo dificuldades e sacrifícios, mas utilizar esse plano inevitável (?) é, como escrevo em cima, puro oportunismo político.
 
Sexta-feira será discutida a moção e, tudo indica, inviabilizada com os votos contra do PS e a abstenção do PSD. Veremos como corre o debate para Sócrates, enfraquecido pela impopularidade das medidas de que é o rosto; e para a nova liderança do PSD no Parlamento, que terá de jogar com o facto de viabilizar o plano de austeridade. No meio de tudo isto, Bloco junta-se a PCP na crítica pela crítica. O CDS-PP terá de tentar ganhar novo fôlego, num debate em que a colocação ao lado da esquerda parlamentar não será muito prudente.
publicado por André S. Machado às 23:33

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