Vox Patriae

Maio 31 2010

Quase dois meses depois do meu último contributo para este espaço volto “a casa”, após uma ausência provocada pelos compromissos académicos das últimas semanas. No entanto, volto um pouco triste por olhar para o blog e ver que se mantém o meu último artigo, desde início de Março. Não é nada animador, quando pertenço a um grupo de pessoas tão activas no seu meio académico.

 

A fraca participação dos últimos tempos será, com certeza, motivada por legítimas opções de agenda, que eu próprio tomei. Todavia, esta estagnação reflecte, de certo modo, o que se passa nos meios universitários, ou melhor, nos instrumentos de participação estudantil. É assunto que já abordei, mas não existe uma lógica de participação estudantil como a Universidade portuguesa precisa.

 

Hoje o estudante do ensino superior tem muitas solicitações. Optar pela intervenção política no meio académico e nestes espaços é dispor de boa parte dos nossos recursos, nomeadamente tempo e dinheiro. Não obstante, uma vez tomada a opção de participação é criado um imperativo de respeito por aqueles que representamos, que nos impele a trabalhar afincadamente e, por vezes, a fazer sacrifícios.

 

Assumir um projecto para um projecto como o RGA é propormo-nos a representar o espírito interventivo da massa estudantil; como uma candidatura aos órgãos de uma associação de estudantes ou da própria instituição de ensino superior não é apenas para ganhar as eleições, mas para representar os alunos e defender os seus interesses nas instâncias devidas, conforme o programa com que se propôs trabalhar.

 

A fraca participação, em geral, é um sinal dos tempos. Vivemos num período de dificuldades e tomar a iniciativa de participar é, muitas vezes, complicado. Talvez por isso importe reflectir acerca do estatuto do dirigente associativo, de todos aqueles que tantos sacrifícios fazem para garantir a defesa dos direitos dos alunos. Porém, uma vez tomada a decisão, é um imperativo de responsabilidade que deve conduzir quem se propôs dirigir. No que diz respeito a associações de estudantes, como dizia há dias, é necessário que se alterem paradigmas, ainda para mais naquelas académicas mais politizadas: é necessário que onde se vêem cargos, se veja responsabilidade; que onde se vêem votos, se vejam alunos; no fundo, onde se vê um futuro pessoal, que se veja o futura da Academia.

 

Termino apenas com um apelo à participação, tal como já o fiz anteriormente. É um apelo aos meus companheiros de blog, sim, mas extensível a uma massa dirigente que muitas vezes baixa os braços quando o estado actual do país impõe que tal não aconteça.

 

Publicado em Reunião Geral de Alunos - RGA (Expresso Online)

publicado por André S. Machado às 18:25

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