Vox Patriae

Novembro 13 2010

 

Muitas vezes tenho recordado, nos últimos tempos, a célebre frase de Vitor Hugo, quando este dizia que A prudência dos cobardes assemelha-se à luz das velas: ilumina mal, porque treme. Isto porque, recentemente, tenho assistido a infelizes e tristes manifestações de falta de carácter de pessoas que ofendem a honra e o bom nome de outras, atrás do manto cobarde do anonimato, concretamente, em espaços "online" como os blogs ou redes sociais.

 

A resposta que sempre tenho encontrado, porque também eu já fui alvo destas frustradas tentativas de gente cobarde, é o simples e puro desprezo. Dar importância a este tipo de atitudes é alimentar ainda mais a inveja, o ciúme e a falta de carácter destas pessoas, que encontram a sua miserável realização pessoal nestas acções que bem revelam a sua estrutura ética e moral. Na verdade, cada ofensa visa, apenas e só, diminuir alguém na sua honra, mas resulta, em verdade, na diminuição da própria dignidade de quem ofende. O ataque sob a capa do anonimato diz mais do que insulta, do que daquele que é insultado.

 

Mas o véu do anonimato, atrás do qual se escondem os cobardes, não é eterno. Calculo que seja muito difícil descobrir o autor de um blog anónimo ou o dinamizador de um perfil anónimo numa qualquer rede social, mas chega sempre o dia em que o nome surge. Surge naturalmente porque a cobardia não é um defeito, que possa ser corrigido: a cobardia é um traço de carácter que, mais cedo ou mais tarde, se torna claro para todos. Por isso sei que todos os dias é possível que aperte a mão a um destes tipos sem escrúpulos, mas conforta-me a convicção de que chegará o dia, e nunca é assim tão tardio, em que o véu cai e o cobarde sentirá as pernas tremer, porque terá de responder por aquilo que diz ou escreve, cara a cara, esse momento que tanto receia.

 

Desilude-me profundamente ver amigos envolvidos nestas situações tão desagradáveis. Desilude-me, sobretudo, porque vêem-se envolvidos por uma única razão: assumir frontalmente as suas posições. Custa-me, ainda, saber que se multiplicam os cobardes em instituições que não merecem ver o seu nome manchado com as atitudes desta gente.

Resta-me o confortável sentimento de saber que todos os dias estou ao lado do exacto oposto daquilo que critico nestas linhas. Escrevo no Psico, em que todos assinamos e assumimos as visões que defendemos; e trabalho, diáriamente, com quem dá a cara por aquilo em que acredita. Essa é a luz das convicções, é a luz que não treme.

 

Publicado em Psicolaranja

publicado por André S. Machado às 15:35

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