Vox Patriae

Dezembro 21 2010

 

“De onde vem o uso de queimar um madeiro na noite de Natal, não sei bem dizê-lo, porém, é certo que na vila de Idanha-a-Nova não só se queima publicamente um como às vezes três ou quatro. Três semanas antes, ou um mês, da noite de 24 de Dezembro, vão ao campo buscar o madeiro, que para este fim de semana se acha já cortado, sendo quase sempre escolhido para ele uma das árvores mais corpulentas. Se o carro quebra, ou os bois cansam, vão outros buscá-lo, e por último conseguem trazê-lo com acompanhamento de chulas e descantes até ao sítio em que deve ser queimado, e onde o descarregam, saudando-o nessa ocasião com um prolongado vito! Deste modo deitam mais dois ou três nos adros de diferentes igrejas. chegada a véspera do Natal, logo ao cerrar da noite lhes largam o fogo, e depois começam a malhar neles, a ver quem tira maior lasca, e cada uma que se despede é de novo festejada com um vito! por todos quantos se acham presentes. Dura isto até à missa do galo; e quando esta chega, não só têm lucrado os que, cantando e tocando, a esperam em roda do madeiro, como também os que moram nas casas mais próximas, e vão ou mandam buscar as brasas para se aquecerem, quando vêem que as marteladas as têm espalhado” (Idanha-a-Novas. D. Luísa Maria, no almanaque de Lembranças para 1864, pp. 377 e seg.)

 

Daqui a poucos minutos parto para Idanha-a-Nova, para as festas. Estas últimas semanas, entre faculdade e tantos outros compromissos, estive afastado destas lides. Conto agora, com mais calma, retomar a escrita.

publicado por André S. Machado às 18:00

Que Idanha te inspire meu caro! Desejava-te um Bom Natal mas cheira-me que ainda vamos voltar a falar pelo menos aqui pela blogosfera ;)
Bruno Ribeiro a 21 de Dezembro de 2010 às 22:06

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