Vox Patriae

Outubro 09 2009

Diziam-me, há dias, que a minha associação académica tem muita força política e que, quando fala, todos prestam atenção aquilo que temos a dizer. É facto: é uma realidade indesmentível que a AAFDL, pela sua história, cultura e tradição, tem um peso político importante no panorama do ensino superior português. Contudo, importa reflectir um pouco sobre o paradigma do associativismo estudantil português e sobre os desafios que se colocam, hoje, às organizações que representam e defendem, quotidianamente, os interesses dos alunos. A questão que se coloca já não é a comparação de forças desta ou daquela associação: é a estreita cooperação inter-associações, com vista à adopção de posições firmes sobre políticas estratégicas de ensino superior.

 
O tão aclamado Encontro Nacional de Direcções Associativas, ou ENDA, é um momento central de todo este processo de integração e cooperação das associações de académicas e de estudantes. O seu funcionamento merece as críticas que muitas vezes lhe são feitas? Talvez. As conclusões dos grupos de trabalho e do plenário do encontro podiam ser mais incisivas e apontar soluções mais concertadas? Com certeza. A fraca adesão a muitos encontros, por parte de boa parte das associações, retira um pouco da dinâmica? Sem dúvida. No entanto, o ENDA não deixa de ser a mais importante plataforma de entendimento entre associações, a nível nacional. Sem prejuízo para esse papel fundamental que lhe atribuo, penso que devemos repensar a estrutura do Encontro, a nível orgânico e mesmo de funcionamento: Há que dotar o ENDA de maior capacidade de mobilização dos dirigentes, há que valorizar o resultado das reuniões e dos plenários, criando mecanismos de cumprimento dos compromissos que, ENDA após ENDA são assumidos.
 
Por outro lado, não é só a nível nacional que devem ser estabelecidas estas plataformas de cooperação: As associações ou federações académicas, que agregam unidades orgânicas da mesma instituição têm, também, um importante papel a desempenhar.
Não há dúvidas que a força política de uma reivindicação estudantil de uma associação de estudantes de uma faculdade ou escola superior é diferente de uma posição concertada entre várias organizações, agregando um número de alunos e capacidade de meios e mobilização bem superior.
Os estudantes da Universidade de Lisboa deram esse exemplo, com a criação da Associação Académica da Universidade de Lisboa (AAUL). As associações académicas e de estudantes das faculdades da UL têm, agora, mais um meio para fazer valer as suas posições e as suas reivindicações.
Em muitas universidades ou institutos politécnicos vive-se um espírito académico centrado na unidade orgânica a que se pertence, é natural, é a realidade mais próxima; porém, o aprofundar de um “espírito universidade” é muito importante, no sentido da construção de uma identidade conjunta.
 
Por fim, a cooperação com outras instituições de ensino superior da região e com movimentos da sociedade civil…
A meu ver, as universidades portuguesas têm de apostar neste novo paradigma de cooperação e, desta vez, falo de associações de estudantes e dos próprios órgãos das instituições: A sociedade civil reúne organizações e pessoas de enorme qualidade. A estreita colaboração com movimentos que procedam objectivos comuns é uma oportunidade excelente para aprofundar os laços entre universidade / instituto politécnico e sociedade.
Entre instituições de ensino superior da mesma área geográfica, será importante, também, estabelecer mais e melhores canais de comunicação, nomeadamente, no que toca a adopção de políticas concertadas e de trabalho político com órgãos de poder locais e regionais.
 
Com tudo isto o que quero significar é que, independentemente das especificidades de cada instituição, é cada vez mais importante criar canais de comunicação e cooperação mais estreitos entre as escolas. É um desafio importante, quando nos deparamos com novas oportunidades trazidas pela crescente internacionalização do ensino superior e quando somos confrontados com recentes alterações legislativas de fundo, como são as questões do financiamento ou do regime jurídico das instituições.
É importante falar e, mais que isso, importa sermos ouvidos. Juntos, falamos mais alto!

 

 

Publicado em Expresso Online - RGA

publicado por André S. Machado às 21:42

Outubro 09 2009

Barack Obama recebe prémio Nobel da Paz com "profunda humildade"

 

Quem sou eu para questionar os critérios da academia sueca, mas acho que é um pouco prematuro reconhecer um contributo que se espera grande, e que desejo que se efective, quando nem um ano de mandato tem o Presidente dos EUA.

Esperemos que sirva de motivação acrescida para Obama olhar mais para além-fronteiras e dar mais de si e dos Estados Unidos na pretensa liderança do mundo ocidental contra o fundamentalismo islâmico.

publicado por André S. Machado às 18:38

Um blog de André S. Machado
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