Vox Patriae

Abril 05 2010

... é tempo de deixar as linhas que foram faltando, ao longo das últimas semanas.

 

Na madrugada de sábado, dia 27, com a contagem dos votos (Resultados: aqui), terminou uma campanha para os órgãos da AAFDL e Conselho Geral da AAUL que muito se diferenciou de anos anteriores e que resultou nos números atípicos que se verificaram.

 

Fui candidato a Vice-Presidente da Direcção da AAFDL e cabeça-de-lista ao Conselho Geral da AAUL, pela Lista B. Foi um projecto que me absorveu e que absorvi com a dedicação e o empenho que a AAFDL merece daqueles que se propõe conduzir os destinos da Associação Académica. Foi uma honra poder contribuir para a Academia, apresentando um projecto para o futuro da AAFDL; Foi um privilégio integrar uma equipa de excelência, liderada por alguém que me merece o maior respeito e consideração; Foi com orgulho que trabalhei arduamente, junto com muitos mais, para construirmos uma visão de futuro para uma Associação Académica que é muito mais que isso.

Pelo profundo significado que teve, para mim, este projecto, da Lista B, não posso deixar de fazer algumas notas sobre a campanha, para clarificar a minha posição sobre os resultados e a minha análise do que vai ser o amanhã da AAFDL.

 

O projecto Lista B tem a sua génese num grupo de pessoas que, tendo já contribuído em muito para a estrutura da AAFDL, consideraram que era hora de criar algo de diferente, que trouxesse um novo significado à participação estudantil na nossa Academia, através de novos meios e novos mecanismos, com outros métodos e outras formas de estar, com maior proximidade, confiança e transparência. Neste sentido, reuniram-se pessoas com trabalho feito e créditos firmados nos órgãos e, nomeadamente, na Direcção da AAFDL, ao mesmo tempo de se apresentaram novos rostos, com ideias refrescadas e ambiciosas para uma melhor Associação Académica.

O Cristóvão Marques, Presidente da Lista B, é alguém que desde cedo participou na AAFDL e foi, no mandato que termina, porventura o vogal com mais trabalho feito e com maior capital político, no sentido de ser, de longe, aquele que mais se dedicou à AAFDL, a par do seu presidente, tesoureiro e Vice-Presidente da Intervenção Académica. Mais que isso, é alguém de uma capacidade de trabalho absolutamente desconcertante, que muito poucos conseguiriam acompanhar, ao mesmo tempo que é um líder preocupado e muito compreensivo com todos os que o acompanham. Foi um gigantesco privilégio partilhar com ele este projecto.

Por outro lado, todos os candidatos à Direcção e órgãos foram o suporte fundamental de um programa e, essencialmente, de uma visão clara de um projecto de futuro para a AAFDL. Apresentámos à Academia um projecto sustentado em muito, muito trabalho e muito debate, mas sempre aliado a rostos que, tenho a forte convicção, são os mais bem preparados para assumir os desafios que a AAFDL enfrenta, no diversos domínios.

 

Sobre a campanha eleitoral...

A atipicidade das eleições deste ano começa no número de listas candidatas: A Lista B assumiu, desde sempre, a sua linha de continuidade assente no pressuposto da renovação; a Lista X assumiu a mensagem de mudança como premissa fundamental; A Lista C surge como ruptura dos actuais órgãos e envolvida no espírito de liderança do candidato, essencialmente. Este ano foram três as opções que se apresentaram aos mais de três mil alunos da Faculdade de Direito de Lisboa.

A Lista B apresenta-se à Academia cerca de um mês antes do acto eleitoral, sem precipitações nem necessidades de protagonismo. No primeiro momento, divulgámos um manifesto que reunia aquilo que viriam a ser as linhas gerais do nosso programa eleitoral: Baseámos, desde logo, a nossa campanha nas ideias e nas propostas, atitude que mantivemos até ao último momento. Depois, todas as semanas apresentámos um jornal com mais propostas, com a divulgação das nossas iniciativas, com a publicação das nossas acções, com transparência e proximidade. Fomos ao Porto falar com o Bastonário da Ordem dos Advogados sobre o atentado que é o exame nacional de acesso ao estágio na Ordem, assumindo a liderança do corpo estudantil nesse fórum. Tivemos RGL´s participadas em que se ouviram muitas vozes e em que se recolheram imensos contributos. Organizámos um jantar e uma festa de Lista que reuniram mais de cem pessoas, num momento de convívio em que se criou um verdadeiro espírito B. Fomos até à Areia Branca, num fim-de-semana de lista muito participado, em que o tal espírito B esteve ao rubro... Tanta e tanta coisa num mês, em que todos os dias foram lançados momentos B, uns mais sérios que outros, mas sempre com o objectivo de chamar a atenção para qualquer problema da FDL. Foi esta a nossa postura, desde o primeiro momento: muito trabalho, dedicação ao projecto, devoção à causa académica e empenho na defesa daqueles que acreditam no nosso caminho.

Na campanha eleitoral, formalmente considerada, tivemos um espaço sempre participado e dinâmico; com os tradicionais brindes; com um momento que levou a Faculdade ao rubro, com os Flow 212; com uma visita especial do seleccionador nacional de esperanças, António Simões, que nos deu uma palavra de motivação; com os programas eleitorais, reunião das principais propostas, a circular e a serem objecto de apreciação pela Academia... Enfim, dois dias de loucos, em que a Lista B liderou pela atitude, mas principalmente pela dinâmica que imprimiu no espaço.

Por outro lado, tivemos de lidar com o que de pior há neste tipo de momentos, desde os rumores e as insinuações mesquinhas em blogs e comentários anónimos, de cobardes que se escondem atrás de um ecrã e não assumem as suas posições, até a mensagens anónimas em pleno dia de eleições a questionar o financiamento da Lista B. Tudo isto, passando em mentiras e falsidades escandalosas que se foram tentando passar e que nunca mereceram, da nossa parte, grande atenção, pela insignificância que representam e por esse tipo de atitudes não nos merecerem qualquer juízo que, em última análise, tem de ser feito por todos os alunos.

 

Aqui chegados (e com tudo o que falta dizer, mas que é importante reservar para sedes próprias) fica o mais importante: os resultados eleitorais que deram a vitória à Lista B na mesa da RGA, no Conselho Fiscal e a vitória da Lista C no Conselho Geral da AAUL e na Direcção da AAFDL (por uma margem de oito votos). Importa individualizar cada um desses momentos:

 

Mesa da RGA

A expressiva vitória da Lista B para a Mesa da RGA é quase que uma avaliação do mandato do João Ascenso, enquanto Presidente da AAFDL. É o reconhecimento do trabalho de alguém que deu tudo pela Associação Académica e que que muito me honrou servir, enquanto Coordenador do Gabinete de Avaliação e Relações Internacionais. Teremos, tenho a certeza, uma Mesa fortificada na vantagem clara que teve nas urnas e no carácter dos seus membros.

 

Conselho Fiscal

A vitória da Lista B, com uma margem um pouco mais pequena que a anterior, resulta, a meu ver, da vontade de maior independência deste órgãos, mas no caso concreto deste ano, da dimensão do perfil da candidata. Seria difícil encontrar, entre os muitos alunos da nossa casa, alguém mais capacitado que uma docente universitária de Economia. Será um Fiscal, tenho também a certeza, muito activo e preocupado com a gestão corrente da AAFDL.

 

Conselho Geral da AAUL

Fui cabeça-de-lista. Ficámos a 19 votos. A Lista C está de parabéns, elegeu mais um representante. Sobre a minha futura actuação no Conselho Geral da AAUL, oportunidades surgirão para escrever e falar. Sobre os resultados, nada mais que a felicitação aos vencedores e os votos de um bom trabalho que teremos de desenvolver em conjunto. Aqui, nesta sede, não há listas, há sim a representação institucional da AAFDL cujos interesses devem ser colocados acima de qualquer outro factor.

 

Direcção

Oito votos foram a diferença entre Lista B e Lista C. Também aqui importa felicitar os eleitos e deixar votos de um bom trabalho. Nada mais queremos que o sucesso da AAFDL e o sucesso dos membros da Lista C, enquanto Direcção, será o sucesso da Associação Académica e, consequentemente, motivo de orgulho e alegria para a Lista B. Aguardarei pela tomada de posse para fazer qualquer tipo de considerações.

 

No fundo, uma campanha atípica resultou em números atípicos. Muita coisa se irá passar e se muito fica por escrever nestas linhas que já vão longas, também é verdade que ainda muito se escreverá. Facto é que a Lista B tem um capital político forte assente na vontade de 490 estudantes que em nós confiaram. É essa confiança que não iremos frustrar, nunca. É um sentido de responsabilidade que nos assiste e nos impele para um ano de trabalho, construindo a alternativa necessária a um projecto que não é o nosso, mas que liderará a AAFDL, por vontade dos alunos. Temos essa consciência e exerceremos o nosso papel com a elevação que merecem os órgãos eleitos.

 

Pelo sentimento de profunda gratidão que me assiste, por todos aqueles que se reuniram no projecto Lista B, recordo Lincoln quando dizia que no campo da derrota não estão os fracassados, mas antes aqueles que tombaram antes de vencer!

Façamos jus a este mote, mas estejamos à altura, fundamentalmente, da confiança dos muitos colegas que vêem em nós a alternativa para o futuro da Academia.

 

Porque a Academia merece quem se bata por ela, vamo-nos bater por ti, por todos. A Academia somos Nós!

publicado por André S. Machado às 02:41

Abril 05 2010

 

Sou militante do Partido Social Democrata, desde há dois anos, com militância na JSD, desde a tenra idade de 15 anos. Embora afastado de uma actividade partidária mais activa e distante das últimas eleições directas, não posso deixar de escrever umas linhas sobre a nova liderança, resultante de uma esmagadora vitória que revela a vontade de mudança no PSD e um novo rumo para a oposição ao Governo do PS.

 

Fui acompanhando, na medida do possível, num mês em que as eleições para a AAFDL me absorveram grande parte do tempo, a campanha interna para as directas, que acabou por ter no Congresso extrarodinário uma ainda maior visibilidade. Foi um período, a meu ver, benéfico para o partido, em que se tornaram claras as diferenças fundamentais dos candidatos e dos projectos que lideraram.

Neste sentido, o Congresso extraordinário foi um momento importante, na exacta medida em que num PSD meio perdido entre lideranças, era necessário debater abertamente o partido. O tempo de realização não terá sido o melhor e entre moções aprovadas e rejeitadas, pouco se acrescentou ao actual estado de coisas, a não ser a célebre "lei da rolha", que a comunicação social adorou, como pérola que é, sendo mal interpretada como penso que está a ser. Mérito para Pedro Santana Lopes que, conhecendo profundamente o partido, sentiu que era momento de abrir as portas ao debate franco de ideias. São precisos mais momentos destes e, ainda mais importante, é preciso aproveitá-los melhor.

 

Não me alongo muito na análise de uma campanha que não acompanhei a fundo. Retenho, apenas que Pedro Passos Coelho tem realmente um talento e, especialmente, uma equipa muito experiente e conhecedora do partido, ou da chamada "máquina", o que é relevante, num momento em que se pretende unir os militantes, na procura de desígnios comuns; que Paulo Rangel é uma lufada de ar fresco no panorama político, pela sua visão clara sobre os problemas do país e na procura de soluções; que José Pedro Aguiar Branco é alguém de uma estatura política e de uma verticalidade de carácter muito interessante e que é, sem dúvida, uma mais-valia para o PSD. Quanto a Castanheira de Barros, pouco ou nada sei, seja pela comunicação social não lhe prestar tanta atenção, seja pelo próprio personagem que não me cativa nada por aí além. No fundo, foram três candidaturas que dignificaram o partido, pela história, pelo perfil e pelas visões dos principais candidatos.

 

Quanto a Pedro Passos Coelho...

A dimensão da vitória é clarificadora da vontade dos militantes de mudar este PSD. A expressividade dos números confere a PPC uma responsabilidade gigantesca, no principal esforço de unir o partido para os próximos desafios, ao mesmo tempo que lhe dá uma legitimidade arrebatadora reforçando a liderança, à partida.

Passos Coelho é alguém que conhece muito bem o partido, por estar envolvido desde muito cedo; é alguém que tem vindo a construir um programa político pessoal, num processo muito sui generis, de auscultação de personalidades e de reunião de especialistas; é alguém que tem uma imagem renovada, não pela idade, porque não é assim tão novo e anda nisto há muitos anos, mas por trazer à cena política novos meios de participação; é alguém que vive numa ambição clara de ser primeiro-ministro, motivação que pode e deve ser contagiante para a sua equipa e, em especial, para todos os militantes do PSD.

Tenho algumas reservas, confesso, quanto a Pedro Passos. Porque ainda não lhe conheço o projecto político a fundo (mea culpa, que ainda nem tenho o seu livro), nunca acompanhei a sua participação política em sedes de relevância como a AR e não entendo, por esta altura, o seu discurso para o país. Coloco-o, ainda, muito ao nível do partido. É esse o seu grande desafio, a partir de agora: o de abrir o discurso para a oposição ao Governo do PS.

 

Portugal enfrenta, hoje, muitos e importantes desafios que desenham o futuro de várias gerações. É preciso uma oposição forte para pressionar um governo que se precisa, mais do que nunca, motivado e determinado. Uma oposição que seja liderada e construída por gente de qualidade e de ambição. Quero acreditar que o novo Presidente do PSD poderá ser o rosto dessa nova oposição, a um governo relativamente novo, que dá sinais de desgaste, com poucos meses de mandato. Esperemos pela moção e pela equipa; pelo Congresso da consagração e que não se fique por aí. A bola está do lado de PPC e, a partir de agora,  não basta conhecer o partido: é obrigatório conhecer, e bem, o país real e construir a alternativa que muitos esperam e que Portugal exige, com qualquer governo.

publicado por André S. Machado às 02:14

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