Vox Patriae

Abril 11 2010

 

A morte de Eugene Terreblanche veio chamar a atenção para o clima de intensa crispação social que se vive na África do Sul. Mais que isso, é uma situação de autêntico ódio entre concidadãos a que assistimos, no país que acolherá as melhores selecções de futebol do Mundo, no próximo Verão.

Terreblanche, enquanto líder do Movimento de Resistência Afrikaner e figura de proa desse movimento, sempre assumiu posições radicais, de defesa intransigente do regime do apartheid. Era polémico, admirado por muitos e odiado por muitos mais. É inadmissível, no entanto, a todos os níveis, que seja o crime a calar a sua voz: Numa democracia que a África do Sul quer ser, não pode ser a morte o argumento principal.
Porém, a morte de Terreblanche assume proporções bem mais significativas que as circunstâncias que a rodeiam: O ambiente social inflamado que reina na África do Sul, que sempre existiu mas muitas vezes subvalorizado pela comunicação social, conhece hoje uma dimensão dramática. Prova disso é a radicalização do discurso do líder da juventude do partido do Presidente, um radical que entoa cânticos contra os brancos e incinta ao conflito racial. Mais grave é o facto de Zuma não dizer uma palavra sobre o assunto, o que o torna solidário com as declarações racistas, radicais e recheadas de ódio de Julius Malema, que chega a elogiar o regime do Zimbabwe, insultando a oposição democrática ao poder instalado de Mugabe.

O ponto é o seguinte: A morte de Terreblanche foi um passo mais num crescendo, que já vem de algum tempo, do pulsar do ódio que se sente na África do Sul. A mediatização do acontecimento trouxe ao Mundo o conhecimento daquilo que se passa no país que vai receber o Campeonato Mundial de Futebol. A Nação que Mandela ergueu, com base na união para que tanto trabalhou, está doente. Malema, que Jacob Zuma chegou a apresentar como futuro líder nacional, é um rosto do conflito racial que se adivinha.

O hino nacional da África do Sul é entoado em duas línguas, mas enquanto símbolo de união está posto em causa por um poder que é indiferente ao ódio e ao confronto entre iguais. Nelson Mandela dizia que sonhava com o dia em que todos compreenderiam que foram feitos para viver como irmãos: Como está longe a sua nação arco-irís de atingir este sonho!

 

Publicado em Postura de Estado

publicado por André S. Machado às 23:59

Abril 11 2010

 

Hoje, no centenário do nascimento do General António de Spínola, foi descerrada a placa toponímica de uma avenida com o seu nome, em Lisboa. Cerimónia presidida pelo Presidente da República, cargo que Spínola ocupou, em 1976.

 

Foi tardia, mas justa e merecida homenagem a um rosto da democracia. E se há pais fundadores do regime, o General António de Spínola será, porventura, o mais importante nome. Desde logo pela sua coragem política antes de Abril de 1974, mas sobretudo na instituição de um regime verdadeiramente democrático, nos tempos conturbados do pós-25 de Abril.

 

Recordar o General, baptizando uma avenida com o seu nome, é simbólico e representa o reconhecimento público do seu papel preponderante na história do Portugal contemporâneo, mas mais importante é relembrar o seu exemplo de coragem, verticalidade de carácter, ambição, empenho e dedicação à causa da Democracia. Um verdadeiro patriota, modelo de devoção a Portugal.

publicado por André S. Machado às 20:25

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