Vox Patriae

Abril 25 2010

Já escrevi e repito: Quando se recorda o 25 de Abril de 74 e o período que se seguiu são esquecidas muitas pessoas de enorme relevo para a consolidação da democracia, num período em que se extremaram e radicalizaram muitas ideias. O General António de Spínola é o melhor exemplo a que se junta o Coronel Jaime Neves, figura incontornável e tantas vezes desrespeitada pela história e por declarações infelizes de muito boa gente.

 

Pelo contrário, dá-se imensa relevância a outros indivíduos que se destacaram por outras razões, menos dignificantes... Tanta gente que aparece nas homenagens e são tratados como arautos da democracia, mas que no PREC foram rostos de uma força radical que pretendia instaurar uma verdadeira ditadura em Portugal. O expoente máximo é o sujeito da fotografia, Otelo Saraiva de Carvalho, "grande estratega da revolução" e "homem de causas" na boca de alguns, mas que tem uma biografia bem conhecida de todos e uma forte ligação a um movimento para-militar que deve envergonhar todos os portugueses, as FP-25, responsáveis pela morte de um número considerável de cidadãos portugueses.

 

Nestas efemérides há sempre homenagens e evocações... Às vezes espantam-me e outras vezes chocam-me os homenageados ou evocados. Muito pela sua conhecida responsabilidade na instabilidade política da altura, mas ainda mais por sentir que muitos outros são injustiçados por nem sequer merecerem uma referência.

publicado por André S. Machado às 23:31

Abril 25 2010

A convite da Rádio Azul, de Setúbal, participei num debate sobre o 25 de Abril, desde as 00.00 deste dia feriado até às 3 da manhã! Foi uma experiêcia engraçada, a da rádio, realidade que me era distante, mas que gostei muito de conhecer.

 

Num painel maioritariamente composto por homens de esquerda, presos políticos e até um membro do Comité Central do PCP, a minha perspectiva foi, necessariamente, a de alguém que não viveu o 25 de Abril de 1974 e que, nesse sentido, reconhecendo o significado da revolução procura estabelecer pontes entre a realidade de 1974 e a de hoje, com especial preocupação com os novos desafios para a Democracia portuguesa, no início do séc. XXI.

 

Voltaire dizia: "Um dia tudo será excelente, eis a nossa esperança; hoje tudo corre pelo melhor, eis a nossa ilusão". Penso que esta frase resume muito bem aquilo que Abril de 74 significou e significa hoje... A revolução trouxe uma enorme esperança, mas o facto é que 36 anos depois há graves problemas que permanecem e muitos outros que foram surgindo.

Desde logo, temos uma Constituição desactualizada em determinadas áreas, demasiado extensa e com uma marca ideológica, e se é verdade que não há um problema constitucional em Portugal, também é verdade que esta Assembleia da República tem poderes de revisão constitucional e há que acorrer às novas realidades e aos novos desafios que se colocam ao país. Rever a Constituição não é arma de combate à crise e aos muitos e graves problemas do país, mas não é uma questão menor.

A Justiça é um problema sério, seja pela sua morosidade, seja pela crescente descredibilização do poder judicial; A Saúde continua a estar longe de ser motivo de orgulho, com um Serviço Nacional de Saúde falido; A Segurança Social está em risco e as gerações mais jovens olham com desconfiança para o futuro; A criminalidade conhece níveis preocupantes; o desemprego é um flagelo que atinge mais de 700 mil portugueses!

Nisto tudo, a credibilidade das instituições, nomeadamente de órgãos de soberania também está na ordem do dia. A corrupção é um dos maiores cancros do país e até o Primeiro-Ministro é alvo de suspeitas que diminuem a sua autoridade política.

A liberdade de expressão e de imprensa, conquistada em Abril, existe, mas está doente... Doença cujos sintomas são suspeitas de promiscuidade entre poder político e comunicação social; identificação de pessoas em manifestações; e mesmo quase perseguições a jornalistas mais "incómodos".

O importante valor-espírito da participação que Abril motivou foi-se perdendo ao longo dos anos, entre o aumento da abstenção (que nas eleições europeias tem valores escandalosos) e mesmo a fraca participação das pessoas na sociedade civil. Destaquei, no debate, a questão da participação cívica dos jovens, que não tendo vivido o 25 de Abril de 74, têm essa cultura de participação, se bem que adormecida: basta criar mecanismos de participação e, segundo a minha experiência, há sempre alguém a querer intervir.

 

Em suma, se há muitas batalhas vencidas, muitas continuam a ser travadas e hoje há importantes desafios que requerem um espírito de mobilização como o que se verificou em 1974: Hoje, os jovens não enfrentam o flagelo da guerra, mas enfrentam a incerteza no seu futuro profissional; hoje, há liberdade de expressão, mas a luta da liberdade é constante e garantir a independência efectiva da comunicação social é algo que continua na ordem do dia; hoje, há mais mecanismos de participação dos cidadãos, mas importa dinamizar uma sociedade civil adormecida e valorizar as iniciativas de grupos de cidadãos, tantas vezes postas de lado pelo poder político partidarizado.

 

Por fim, a mensagem que quis deixar no debate e a que, nesta efeméride me parece mais importante salientar, é que mais que celebrar Abril é preciso concretizar o espírito de intervenção e mobilização nacional, de todos (mais jovens e mais velhos), desta feita não contra algo mas por algo: um algo que não é uma qualquer coisa... Hoje, por imperativo dos tempos, é fundamental mobilizar pela mais nobre das causas, a causa nacional. É preciso mobilizar os portugueses para mobilizar o país, para mobilizar Portugal!

 

Nota: Referi, na Rádio Azul, a importância tantas vezes esquecida do General António de Spínola. Pela sua actuação política antes de Abril de 1974 (nomeadamente com as suas assumidas posições políticas vertidas no livro "Portugal e o Futuro") e pelo seu papel na consolidação de um regime democrático, em tempos conturbados como foram os do PREC). Acho absurdo recordar os tempos de 74 a 76 e não relevar o papel desta personalidade, que será, porventura, o principal rosto instauração da democracia plena, numa época em que muito estava em risco. Tempos como os que foram vividos exigiam homens extraordinários, e Spínola foi, a meu ver, o maior deles.

publicado por André S. Machado às 22:09

Abril 25 2010
Sr.ª do Almurtão
Este ano faltei à romaria da Sr.ª do Almurtão!... Compromissos académicos impediram-me de rumar a Idanha-a-Nova para um dos momentos mais importantes para os idanhenses, pelo profundo significado religioso que se alia a muitos costumes e tradições próprios da época pascal e que se estendem até à segunda semana após a ressureição do Senhor.
Idanha tem muitas e ancestrais tradições entre as quais se destaca, em grande medida, a romaria da Sr.ª do Almurtão. A profunda devoção pela Santa, num concelho devoto à Fé cristã, é quase que uma marca identitária das gentes da raia.
Ao forte carácter religioso alia-se sempre uma autêntica festa do povo beirão, que ruma à Ermida para um convívio que se prolonga no fim-de-semana, para culminar nas cerimónias de segunda-feira, feriado municipal, em honra da nossa padroeira. É uma tradição que vive e que une todos os idanhenses.
Sr.ª de Mércoles
Entretanto, também em Castelo Branco houve romaria, a festa da Sr.ª de Mércoles! Se em Idanha o dia grande é segunda-feira, em Castelo Branco é no dia seguinte. Não sou tão assíduo como na Sr.ª do Almurtão, mas é também um momento a que não falto, sempre que posso, pelo significado que tem para os albicastrenses e para todo um distrito.
Club União Idanhense
O CUI está prestes a terminar, dizem-me os mais pessimistas... Realmente, pelo que sei, a situação não está nada fácil e vai da autêntica bancarrota a suspeitas sobre a gestão dos fundos deste clube quase centenário.
É com muita tristeza que assisto à queda de uma colectiviade que há noventa e três anos representa Idanha nas mais variadas modalidades, com natural destaque para o futebol. O CUI já faz parte da vila e do concelho, deixá-lo morrer assim é quase como perder uma parte de Idanha. No meio de tudo isto, acho ainda mais incrível não ver uma vontade e um esforço colectivo para salvar o clube. Circulam rumores de uma nova organização desportiva, à qual não tenho nada a objectar, mas não seria melhor, por uma questão de respeito histórico, lutar pela manutenção do nosso Idanhense?
Problemas para os lados de S. Miguel
Em S. Miguel d´Acha, aldeia do concelho de Idanha, parece que a "Euroliva", fábrica de bagaço fechada há mais de nove anos, ainda conserva uns bons litros de bebida. O problema é que está depositada em reservas que começam a contaminar os solos e, consequentemente, os lençóis de água. Entre trocas de argumentos, ninguém percebe de quem é aquilo nem quem tem a competência para agir. Acho, francamente, que a Câmara Municipal e as autoridades policiais já deviam ter feito algo mais. Esperemos por desenvolvimentos...
publicado por André S. Machado às 21:58

Um blog de André S. Machado
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