Vox Patriae

Maio 04 2010
Sou profundamente sportinguista. Vivo o meu clube com a intensidade de quem se fez sócio por si e muitas vezes fez quilómetros e quilómetros, com sacrifício pessoal, para ir a Alvalade apoiar o emblema verde e branco que tantas emoções desperta.
Sou, também, alguém que valoriza profundamente as modalidades, que colocam o nosso Sporting como um dos grandes europeus, quando se contam conquistas e títulos nacionais e internacionais.
 
No entanto, é inquestionável que o futebol é, de longe, o grande motor de um clube como o Sporting e é, tenho a certeza, aquela modalidade que mais paixões mobiliza. Neste sentido, não posso deixar de lamentar a péssima temporada a que assisti, mesmo a uma semana de terminar, mas já com quase tudo definido, menos o título, curiosamente: Um quarto lugar no campeonato e nenhum troféu conquistado. Aliás, na Taça da Liga e na Taça de Portugal fomos eliminados pelos nossos mais directos rivais e concorrentes.
Tudo isto tem graves repercussões financeiras, de gestão e, consequentemente, desportivas. Tudo foi mal gerido, este ano. Até a substituição precoce do treinador actual foi mal conduzida, como tive oportunidade de escrever aqui.
 
É preciso pensar muito bem a próxima época e a conjuntura actual. Porém, se nada ganhamos em tantos anos, a questão começa a ser estrutural.
A ideia de um Congresso Leonino agradou-me imenso, mas e os resultados desses trabalhos? Algo de prático e efectivo?
As eleições para a Liga são importantes, ainda para mais nesta altura, mas (mesmo não tendo acompanhado o processo) é viável apoiar um candidato que sempre esteve ligado à estrutura do FC Porto, ainda para mais numa aliança com o nosso eterno rival, o Benfica?
Onde está o plano de equilíbrio financeiro, que vem da época de Roquette? Que resultados teve? Como estão as nossas contas?
Como está a situação do sempre prometido pavilhão? Isto ainda se torna mais relevante quando são as equipas que dele precisam que mais alegrias nos trazem.
O que motiva tantas saídas e entradas na estrutura directiva? Desde há um ano para cá tantas substituições, porquê e para quê?
 
Esclareça-se: Apoiei José Eduardo Bettencourt. Via nele, como continuo a ver, um grande sportinguista e, acima de tudo, alguém de extremamente dedicado ao emblema que nos une. Por essa confiança que nele depositei e por saber que pode fazer muito, mas muito melhor, é que penso que as coisas ainda podem mudar, mas são precisos sinais de vontade para essa mudança. A família sportinguista sente isso. Esperemos que quem dirige os destinos do clube o sinta, também.
publicado por André S. Machado às 22:27

Maio 04 2010

 

Manuel Alegre apresentou, formalmente, a sua candidatura à Presidência da República. Assumiu-se como candidato "suprapartidário, mas não neutro"... No fundo, é algo que quer dizer tudo, mas não quer dizer nada.

 

Começando pelo suprapartidarismo: Alegre foi deputado, eleito pelo Partido Socialista, durante 34 anos. Militante do Partido Socialista, desde sempre, chegou a Vice-Presidente da Assembleia da República. As críticas dos últimos quatro anos (motivadas por esta antiga ambição da presidência) não apagam toda uma vida dedicada às causas e às lutas socialistas. Para mais, em substância nunca houve um verdadeiro afastamento político entre Alegre e o PS de Sócrates e prova disso é a participação do "histórico" na última campanha para as legislativas, num declarado apoio a este Governo e suas políticas.

 

Quanto à não neutralidade, penso que é uma opção clara e de coerência política. No entanto, não posso deixar de questionar como é que alguém que se propõe ser "intérprete e representante da Nação no seu todo", pode colocar-se, à partida, nesta posição. Alegre assume-se, como sempre, como rosto da esquerda, mas quando está em causa a Presidência da República está em jogo uma figura de união nacional. Alegre é uma figura de um determinado segmento ideológico que, ainda para mais, é apoiado desde cedo por uma força partidária da esquerda radical.

Nunca um candidato ou Presidente pode ser neutro, a força das convicções não o permitiriam, mas deve sempre fazer um esforço de equidistância. No lançamento de uma candidatura afirmar a não disponibilidade para esse esforço é fechar as portas a outras ideias e outros contributos.

 

A autêntica campanha que Alegre protagonizou nos últimos quatro anos e o lançamento da sua candidatura (mais que esperada) no início de 2010 (mais de um ano antes das presidenciais), são prova de uma ânsia que não é positiva para o poeta, não é positiva para a campanha, nem é positiva para o país: Alegre tem a imagem desgastada, de alguém que não engoliu os resultados de 2006 e desde então tem vindo a fazer a sua própria campanha; O próprio desenvolvimento natural da campanha presidencial foi afectado, porque o anúncio precoce da candidatura de Alegre antecipou tudo o resto; Por fim, o país vê-se mergulhado numa situação muito complicada e depois de meses de eleições voltamos a estas lutas e divisões, quando se impõe um esforço de união nacional para enfrentar os dias difíceis que se adivinham.

 

Publicado em Psicolaranja

publicado por André S. Machado às 22:23

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