Vox Patriae

Julho 15 2010

 

O desemprego está a descer, a economia está a crescer, as reformas estão a dar resultados, tudo vai bem desde a educação até às finanças públicas. Isto é o Portugal de Sócrates, que hoje falou aos portugueses como o Primeiro-Ministro de um país sem problemas e no caminho do crescimento e do desenvolvimento.

Com números, estatísticas e projecções usou da sua notável (há que admitir) capacidade de argumentação e retórica para se destacar como o político do optimismo e da confiança, contra o "glamour do pessimismo". Mas não são longos e bonitos discursos, floreados com números e estudos comparatísticos, que trazem mais confiança aos portugueses. Antes são necessários resultados, que não se fiquem por abstractas percentagens, mas que se substanciem em algo de material na vida quotidiana de todos nós; Antes são necessários compromissos, que garantam estabilidade à vida dos portugueses; Antes é necessária sensibilidade social e política, para melhor legislar e governar.

 

A verdade é que a taxa de retenção e abandono escolar diminuiu nos últimos anos, é certo, mas continuamos a estar muito aquém da média europeia (o dobro) e o Governo quer encerrar ainda mais escolas e continuar na senda do conflito com professores, pais e alunos. A verdade é que a taxa de mortalidade infantil diminuiu nos últimos anos e que a esperança média de vida dos portugueses tem vindo a aumentar, mas o Governo continua a atacar o interior do país, encerrando centros de saúde e retirando cuidados médicos às populações mais envelhecidas. A verdade é que o número de licenciados continua a aumentar, mas o Governo pretende afastar um conjunto significativo de pessoas do Ensino Superior, diminuindo nos apoios sociais aos mais necessitados e dando um duro golpe na igualdade de oportunidades no acesso à formação académica. A verdade é que Portugal é um país relativamente seguro, mas o Governo corta no investimento nas forças de segurança, num período em que aumenta a criminalidade violenta e organizada. No fundo, há indicadores positivos para quase tudo e o jogo dos números ajuda à retórica, mas não basta puxar desses galões: é preciso conhecer o país e, mais importante, sentir o país.

 

No meio de tudo isto vemos um Primeiro-Ministro preocupado com crises políticas e com a sua manutenção no poder, numa altura em que até ele próprio sente que os portugueses já não se revêem nele e no seu governo. Mais que isso, vemos um Primeiro-Ministro elevar o "optimismo" como palavra de ordem, quando ele próprio sente que o país não está optimista, não está confiante e está longe de estar motivado. Na verdade, vemos um Primeiro-Ministro incapaz de "puxar pelas energias do país", quando ele próprio sente que é o país que não o quer a puxar por ele.

 

Publicado em Psicolaranja

publicado por André S. Machado às 20:41

Julho 15 2010
Por estes dias não se ouve falar de mais nada que não as agências de rating e o rating da República e dos bancos portugueses. Não são animadoras as notícias que sobre tudo isto vão sendo veículadas... Aliás, Portugal está quase que sobre acérrimo ataque das agências de rating internacionais e os juros da dívida externa começam a ganhar uma expressão que apenas agrava a já frágil situação em que nos encontramos.
De todos os relatórios, o que se extrai é um conjunto de críticas e dúvidas quanto à capacidade de Portugal de cumprir os seus compromissos externos. A par disso, apresentam-se diagnósticos genéricos e parcas propostas, que em nada se concretizam.
 
O importante, no meio de tudo isto, é reflectir um pouco sobre o papel destas agências... Acho que o trabalho que desenvolvem tem a sua expressão, mas não estará demasiado inflacionado esse papel? Não serão excessivos os aumentos dos juros da dívida pública portuguesa, justificados por estas "projecções"? Francamente, acho que Portugal, como qualquer país, não deve ser tratado como uma empresa que apresenta ou não apresenta soluções adequadas para sair de uma situação menos boa: Portugal é um Estado soberano, inserido num espaço económico e monetário sólido, e como tal deve ser tratado.
 
Todavia, não há que desvalorizar o papel das agências, mas antes contrariar aquilo que apontam: como dizia o Presidente da República há dias, o necessário é demonstrar que estão erradas, fazendo os esforços e os sacrifícios necessários para a diminuição da dívida externa, que hipoteca o Estado e, nele, o futuro de muitos de nós.
publicado por André S. Machado às 03:11

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