Vox Patriae

Abril 23 2010

Tanta polémica que envolve o teste de Direito Constitucional II, na Faculdade de Direito de Lisboa! Isto é do Facebook até ao Telejornal, passando pelos blogs...

 

Importa ter presente que o que está em causa é uma mera hipótese académica. Aliás, é pedido expressamente aos alunos que argumentem a favor e contra a constitucionalidade do ficcionado diploma. Acrescente-se, aliás, que existe liberdade académica e o Prof. Paulo Otero, ao seu abrigo, toma as posições que entender adequadas e avalia os seus alunos consoante os métodos que achar convenientes.

O Prof. Paulo Otero é um membro prestigiado da nossa Academia com uma vasta obra publicada, com capacidades pedagógicas reconhecidas e com uma intervenção cívica mais que conhecida de todos. E será talvez por isso (por se conhecerem bem as suas posições políticas) que este teste está a ser motivo de tanta discussão. Acho, francamente, que está a ser dada relevância a mais a tudo isto e está na praça pública uma discussão que poderia perfeitamente ser feita dentro de portas, salvaguardando o nome do Professor, mas sobretudo da instituição.

 

No entanto, acho que o facto de ser referido, no enunciado, que o diploma ficcionado apresentado é complemento à lei que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo, foi completamente desnecessário. Aí é que reside, penso eu, o problema, se bem que numa dimensão bem menor que a que está a ser dada ao assunto, principalmente pelos meios de comunicação social.

Depreende-se da hipótese uma colocação ao mesmo nível do casamento entre pessoas do mesmo sexo e do casamento poligânico ou com animais. É francamente infeliz. Reiterando que é uma hipótese académica, não deixa de transparecer uma ironia que não é comum numa pessoa que não descura os pormenores, relevando que existe mesmo uma mensagem subliminar no caso prático.

E aqui chegamos ao seguinte ponto: nós, que conhecemos o perfil e postura do Professor, bem como a sua posição sobre este tema, lemos essa mensagem na hipótese, mas será que a conseguiríamos descortinar num exame de um outro professor, porventura mais simpático, nos mesmos termos?

 

Acho que o enunciado foi muito infeliz e compreendo a indignação de muitos colegas. Porém, não deixo de questionar a necessidade de embaraçar os próprios órgãos da faculdade, criando um clima de autêntico julgamento de carácter público de um professor prestigiado da nossa casa. Aguardemos pelas acções daqueles que estão habilitados para tratar deste assunto, nomeadamente Director e Conselho Pedagógico: são estes órgãos, em primeira instância, que devem tratar do assunto.

publicado por André S. Machado às 01:35

De
 
Nome

Url

Email

Guardar Dados?

Ainda não tem um Blog no SAPO? Crie já um. É grátis.

Comentário

Máximo de 4300 caracteres



Copiar caracteres

 



O dono deste Blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.

Um blog de André S. Machado
Abril 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9

16

18
20
21
22

26
27


Ligações
Pesquisa
 
subscrever feeds
blogs SAPO