Vox Patriae

Março 11 2011

Os últimos tempos têm demonstrado que o movimento associativo enfrenta, hoje, um conjunto de desafios de enorme envergadura. Entre tantos, desde as questões de avaliação e acreditação à empregabilidade, assume-se a Acção Social como a causa mor da contestação dos estudantes. E com toda a propriedade, face às perspectivas de saída do sistema de milhares de colegas, que podem abandonar o Ensino Superior, em última análise. A gravidade da situação exige, nestes termos, uma liderança com rumo em cada uma das nossas Escolas e, sobretudo, uma linha de acção a nível nacional. Neste, como em tantos outros aspectos da nossa vida académica nacional.

 

Neste sentido, a classe dirigente nacional, representativa de todos os estudantes do Ensino Superior precisa de reunir dois pressupostos fundamentais: primeiro, a confiança e mobilização geral das suas academias; segundo, com base no primeiro, a capacidade de contestação e a força política que resulta da união das Escolas na defesa da sua causa.

 

Todavia, esta tão importante união dos corpos estudantis é colocada em causa, recorrentemente, nos momentos eleitorais vividos em cada Associação Académica ou de Estudantes. É, aliás, natural e saudável que surjam várias visões para as academias. Resulta do confronto dos projectos, normalmente, um relevante panorama de conjunto que só se atinge com o entusiasmo, a motivação e a emoção de uma candidatura. As escolas também precisam disso. Porém, essa normal crispação e competitividade tem o seu lugar e não pode, de forma alguma, ter repercussões na acção política das associações e, através delas, na representatividade estudantil nacional. O movimento associativo, nas instituições e no panorama mais alargado, não pode, em circunstância alguma, estar refém de interesses ou agendas de determinados grupos.

 

Com efeito, é importante que aqueles que se propõem liderar os destinos das organizações representativas dos estudantes tenham consciência da relevância da união na defesa da causa académica. Há matérias, hoje mais que nunca, que exigem a mobilização de todos e não apenas de alguns. Existe tempo para o debate de ideias e da luta política, mas também existe o tempo de cerrar fileiras. Isto porque, no fim de contas, todos estamos do mesmo lado da barricada. As nossas lutas não são (ou não devem ser) entre a Lista A e a Lista B: estas são tomadas de posição. As nossas lutas são, isso sim, as do financiamento do Ensino Superior, do sistema de Acção Social, do acesso ao mercado de trabalho, da dignificação das instituições cujos estudantes muitos de nós representam, entre tantas outras.

 

Tudo isto para sublinhar que se os momentos eleitorais nas associações / federações são momentos fundamentais na vivência democrática das instituições, não é menos verdade que o dia seguinte deve ser sempre o da união. Os nossos colegas, mesmo que adversários em determinado momento, não deixam de ser os que nos propomos representar ou os que se nos propõem representar. O sentido de comunidade académica e a consciência institucional devem, sempre e em qualquer circunstância, imperar e sobrepor-se a todo e qualquer interesse sectário.

 

Os tempos que vivemos requerem do associativismo académico uma afirmação política forte na defesa intransigente dos interesses dos estudantes. Os desafios que a Academia enfrenta são graves e exigem os melhores protagonistas na representatividade estudantil. Mas esses protagonistas apenas alcançarão o sucesso que a todos aproveita com a sua base de apoio unida no mesmo espírito: de abnegação e desprendimento, de autêntica e desinteressada devoção à causa académica e, sobretudo, de efectiva e verdadeira união em torno daquilo que é fundamental.

 

Publicado em RGA - Expresso Online

publicado por André S. Machado às 17:07

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