Vox Patriae

Março 08 2011

 

Enquanto toda a Europa trabalha, em Portugal o povo tudo esquece entre os tradicionais festejos do entrudo. Em tempos de crise e contenção, o país pára num dia normal transformado em feriado nacional, que nenhum governo arrisca privar aos portugueses.

 

Entretanto, e no meio da folia que tolhe o país, um coordenador da DREC é demitido por expressar a sua opinião sobre o processo de avaliação de professores; os juros da dívida pública atingem máximos históricos; os Homens da Luta ganham a presença no Festival Eurovisão da Canção; e o movimento "geração à rasca" continua a cruzada anti-política e alguns dos seus membros são expulsos ao pontapé de uma acção de campanha de Sócrates, entre sorrisos e humor infeliz do Primeiro-Ministro. Tudo isto ao som dos bombos e do samba do quente Brasil, em desfiles de gente meio nua pelas ruas das frias cidades portuguesas.

 

O mais grave, porém, é que vivemos num constante Carnaval, durante todo o ano. Todos os dias vemos, lemos e ouvimos mais do mesmo. A única diferença é que a banda sonora não é tão alegre como a que acompanha estes três dias. É caso para dizer que no Carnaval, por vezes, há que levar a mal...

 

Publicado em Psicolaranja

publicado por André S. Machado às 20:23

Fevereiro 11 2011

 

Esta fotografia de Jodi Beiber, repórter sul-africano, fez a capa da Time em Agosto de 2010. Retrata Bibi Aisha, afegã de 18 anos, vítima de uma mutilação protagonizada pelo marido que não tolerou o regresso da mulher para junto da família, em fuga dos seus maus tratos.

 

A mim, o que esta foto me diz é que ainda há muito para fazer no que à defesa dos direitos humanos diz respeito. Diz-me que precisamos, de quando em vez, de nos lembrar destas pessoas, que por todo o mundo, são feridas na sua dignidade e concentrar um pouco das nossas atenções nestas realidades. Diz-me que a comunidade internacional está focada, e bem, na recuperação das economias e no combate à crise, mas que há um mundo para além dos números e dos euros / dólares: há um mundo em que os valores civilizacionais mais básicos são esmagados pela intolerância, pelo fundamentalismo, pela violência.

 

Publicado em Psicolaranja

publicado por André S. Machado às 12:11

Janeiro 31 2011

 

Já lá vão uns anos e muita dedicação à camisola. Hoje, na despedida, recorda-se a raça e o empenho constante de um jogador fundamental do futebol do Sporting nesta primeira década do séc. XXI.

publicado por André S. Machado às 18:26

Janeiro 31 2011

 

O fenómeno "... got Talent" chegou a Portugal e acompanhei a estreia com muito interesse. De facto, Portugal tem mesmo muito talento escondido nos seus cidadãos anónimos. É uma boa oportunidade para muito boa gente. Vou seguir com atenção.

publicado por André S. Machado às 02:29

Janeiro 31 2011

 

Almeida Santos, presidente do Partido Socialista: Neste momento, o dr. Carrilho é quase um adversário do PS. (...) Não é bem o exemplo típico do indivíduo que se possa citar como característica da situação interna do partido

  

Palavras do presidente do PS sobre um camarada de partido, à margem da reunião da Comissão Política que marcou o congresso (eleitoral). Resposta a um militante que se limitou a criticar a falta de debate interno no seio do partido. Palavras para quê?

 

Publicado em Psicolaranja

publicado por André S. Machado às 02:27

Janeiro 22 2011

 

Ainda o Boom...

Esta semana o Boom Festival arrecadou mais um prémio de ecologia: o de festival mais ecológico da Europa, atribuído na cerimónia "European Festival Awards". Junta-se, assim, a dois prémios (2008 e 2010) dos Greener Festival Awards Outstanding e à honrosa integração na United Nations Music & Environment Stakeholder Initiative, organização da ONU. É, de facto, mais um galardão que muito deve orgulhar os promotores do Boom Festival, que de dois em dois anos trás um mundo inteiro a Idanha-a-Nova.

Todavia, a política autárquica local não deve estar refém do festival. Isto porque me chegam rumores de que a Câmara de Idanha pode querer adquirir um terreno especialmente para o Boom e transformá-lo num parque de feiras. Ora, o resultado seria inevitavelmente a sua inutilização fora do âmbito do Boom que, recorde-se, decorre de dois em dois anos. Mais, é uma despesa não reprodutiva, a esta altura, face à oferta de espaços de que o concelho já dispõe e sobretudo face à necessidade de controlar despesas, num período de dificuldades.

A organização do festival quer um maior envolvimento da Câmara Municipal, muito bem. Apresenta um caderno de encargos? Devem ser atendidas as pretensões possíveis. No entanto, também é do interesse do festival em continuar numa região privilegiada e que já é absolutamento identificável com o Boom. E se é necessário mais investimento da parte da Câmara, com o dinheiro de todos, é bom que esse investimento tenha retorno na potencialização da economia local. Situações como o deserto total da vila de Idanha na edição de 2010 não são admissíveis. Ser anfitrião e não usufruir dos convidados não é comum. É tudo isso que tem de ser tido em conta, agora com tempo, a dois anos do Boom 2012.

publicado por André S. Machado às 01:47

Janeiro 19 2011

 

Os órgãos sociais do Sporting tomaram a decisão certa. A demissão de José Eduardo Bettencourt foi, apenas, o culminar de um crescente divórcio entre os sócios e o clube e o ponto alto de uma estratégia que falhou. Resultado disto é uma situação desportiva preocupante e uma realidade financeira adversa que não encontra solução fácil tão cedo.

 

Há 19 meses atrás fiquei satisfeito com a eleição de JEB e da sua equipa. Achei que tinha chegado à presidência do Sporting alguém que queria servir o clube de alma e coração, que tinha uma boa relação com os bancos (eternos e significativos credores do clube), que representava muito daquilo que é o sportinguista de hoje. Continuo a ter consideração por JEB e reconheço-lhe vontade. Mas o projecto que tinha para o clube faliu: Em termos desportivos até as modalidades começam a perder terreno e o futebol está na situação que se conhece. Em termos financeiros, entre tantas reestruturações e estratégias, o Sporting vai perdendo controlo da SAD e as acções especiais vão diminuindo à medida que o capital social cresce e diminui sem motivos aparentes.

 

Agora há que olhar para esta realidade e encará-la de frente com a coragem e preserverança que caracterizam os sportinguistas. Há que se estabelecer uma verdadeira estratégia financeira para o clube que passe por uma consolidação da posição do Sporting na SAD, mantendo as acções especiais e a maioria da participação social. Há que definir uma estratégia para as modalidades, bandeira de sempre do Sporting. Há que recuperar o número de sócios que vem diminuindo. Há que procurar levar mais pessoas ao estádio e aos pavilhões. Há que clarificar a situação do património do clube. Há que olhar para o futebol e tentar assegurar, a curto prazo, uma participação digna nas competições em que está envolvido e começar a olhar para o futuro, para as próximas épocas e não para remendos.

 

Dia 26 de Março é uma oportunidade de participação que os sportinguistas não devem deixar passar ao lado. É importante discutir o clube e motivar as hostes. É, sobretudo, importante eleger um líder e uma equipa que tenham uma verdadeira estratégia para o Sporting, no seu todo. E acima de tudo é importante que a motivação que se vai seguir neste período eleitoral se mantenha no apoio constante a quem for eleito para liderar a grande instituição que é o Sporting Clube de Portugal. As minhas quotas estarão em dia para participar neste momento tão importante na vida do nosso clube. Que seja um passo para um Sporting mais vitorioso nesta segunda década do séc. XXI!

publicado por André S. Machado às 00:19

Janeiro 14 2011

 

Desertificação, Abandono Rural e Despovoamento

Em boa hora é organizado o Seminário Ibérico "Desertificação, Abandono Rural e Despovoamento - Intervenções Raianas", no Centro Cultural Raiano, em Idanha-a-Nova, entre 20 e 21 deste mês de Janeiro. O programa reúne especialistas nestas matérias e os objectivos são muito claros: encontrar soluções para o problema da desertificação do interior raiano e perspectivar canais de cooperação ibéricos nesta matéria. Lamento imenso não poder estar presente, por motivos académicos, mas espero poder vir a consultar os resultados desta iniciativa numa qualquer reunião das intervenções ou Acta Geral dos trabalhos. Tantas vezes são promovidas estas iniciativas tão interessantes e tão importantes e os resultados são invariavelmente um conjunto de intenções que não passa de uns minutos de conversa na sala. É importante alterar esse paradigma: reunir as intervenções, chamar os participantes (oradores e público) a uma reflexão contínua e a um contributo concreto, transformar as intenções em medidas palpáveis. É uma visão daquilo que pode sair de uma conferência como esta. Admito que seja ambicioso demais, mas não custa sustentar esta esperança.

 

Misericórdia de Monsanto

Preocupam-me os ecos que me têm chegado de Monsanto, acerca das eleições para os órgãos sociais da Santa Casa da Misericórdia da aldeia. Assembleias gerais com ânimos exaltados, violações dos estatutos pelas listas candidatas, possíveis impugnações do acto eleitoral (pelo que me chega pela comunicação social, com fundamento)...

Importa clarificar que não sou irmão da Santa Casa da Misericórdia de Monsanto, mas tenho um profundo respeito pela instituição e, nesta em concreto, há que ter consciência da relevância fundamental que tem, no contexto da prestação de cuidados de saúde a uma população tão envelhecida como é a das aldeias desta nossa região. A Misericórdia de Monsanto, pelo seu prestígio, pelo que representa há tantos e tantos anos e pelo seu papel de especial relevâcia no apoio às gentes de Monsanto e arredores, não merecia o que se está a passar. Esperemos que tudo se resolva e volte à normalidade quanto antes.

publicado por André S. Machado às 00:09

Janeiro 05 2011

 

... a frase da manchete de dois dos principais jornais húngaros, ontem, escassas horas depois da entrada em vigor da lei da imprensa que coincide com o início da presidência rotativa da União Europeia.

 

Conceitos indeterminados não são admissíveis em leis que regulam áreas tão sensíveis como a das liberdades; uma autoridade para a comunicação social é sempre necessária, mas não para avaliar o "interesse" ou a "pertinência" dos factos noticiados ou sequer ter qualquer controlo prévio à publicação, a isso chama-se censura prévia. E se é certo que os governantes húngaros não têm de alterar a sua legislação por força de opiniões externas (relembrando declarações do Secretário de Estado com competências na comunicação social) é importante não esquecer que a Hungria pertence a uma União Europeia, regida por um Direito Primário (dos Tratados) e Secundário (dos actos legislativos) que plasmam princípios e valores que não vão ao encontro deste tipo de atitudes. Basta recordar o art. 11º da Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia para o provar.

 

Os Estados-membros são soberanos e não devem permitir, em circunstância alguma, qualquer tipo de ingerência ilegítima. Neste caso, porém, a Hungria não tem razão e a sua lei está a violar princípios enformadores da União Europeia, a que pertence de livre vontade. Justifica-se assim uma acção dos órgãos de direito da UE. E a Hungria terá de o aceitar.

publicado por André S. Machado às 03:05

Janeiro 05 2011

... é a inscrição que se exibe, pasme-se, no carro de campanha de José Manuel Coelho, o candidato surpresa das próximas eleições presidenciais.

 

Estou completamente de acordo com aqueles que defendem a igualdade de circunstâncias entre candidatos presidenciais. Ao ter recolhido as assinaturas necessárias e tendo sido aprovado como candidato pelo Tribunal Constitucional, José Manuel Coelho torna-se um entre outros cinco e merece ser tratado de igual forma. Está dito.

 

Todavia, a forma que Coelho adoptou para a sua campanha não é inatacável. Antes pelo contrário. É absolutamente lamentável o tipo de acções que está a tentar desenvolver. Desde o carro funerário às declarações sobre "os mortos do regime jardinista", este candidato revela que quer usar um momento fundamental da democracia para se auto-promover e utilizar a visibilidade mediática para atacar Alberto João Jardim, o seu inimigo de estimação. E se Alberto João Jardim é a figura conhecida de todos, concorde-se ou não com a sua postura, penso que não é motivo suficiente para ser elevado ao tema central de um acto eleitoral para a mais alta magistratura da Nação.

 

O carro funerário de campanha e as declarações absurdas juntam-se à bandeira nazi desfraldada em plena Assembleia Legislativa Regional da Madeira. Os actos falam por si e qualificam bem o seu autor. Seja candidato, muito bem. Exija os seus direitos, tem razão. Mas não diminua a dignidade um acto eleitoral tão importante e que precisa de levar as pessoas a votar, numas eleições em que a adesão parece não se vislumbrar exemplar.

Não haja ilusões: tiriricas apenas no Brasil. Por aqui as coisas são ou devem ser levadas mais a sério. Aguardemos por cenas dos próximos episódios, porque a luta contra o "regime jardinista" não vai ficar por aqui. E no meio de tudo isto se ridiculariza a eleição para o cargo mais elevado da Nação.

publicado por André S. Machado às 02:53

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